Responsável técnica: Dra. Elizabeth Zamerul Ally
Psiquiatra, Psicoterapeuta e Palestrante CRM SP 53.851


COMO É UMA PESSOA MUITO INTELIGENTE?

Simplificando, o maior sinal do alto nível de inteligência é a capacidade que uma pessoa tem de usar os recursos (seus e os do em torno) para se fazer feliz.

E o que é ser feliz? Muitos afirmam que felicidade é uma questão de momentos, de algumas experiências emotivas na vida. Esta visão não parece fazer jus ao poder humano. Pelo que tenho visto e vivenciado, felicidade é a satisfação causada pela certeza sensorial de se sentir no caminho ditado pela própria essência, rumo à sua máxima realização. Esta certeza pode ser traduzida, na prática, por fé em si mesmo, autoconfiança ou a crença irredutível de já ser bem sucedido nos seus propósitos, mesmo antes dos fatos o comprovarem.

Quanto à inteligência, é inadequado dizer que alguém a tem ou não, como se existissem apenas os tons de branco e preto e não os de cinza. Faz mais sentido avaliar, pela satisfação vivida pelo indivíduo, qual é o seu nível atual. Além disto, vale esclarecer que esta característica sempre pode ser desenvolvida.

E como é uma pessoa muito inteligente? É alguém que costuma viver algumas sensações muito agradáveis, como:

1) A percepção de ter controle sobre a própria vida, ao menos em relação ao desenvolvimento do seu potencial, aprendizado, evolução e autorealização. É importante observar que este controle não se relaciona a cada fato que ocorre no cotidiano, nem aos resultados específicos num certo momento, ou aos comportamentos dos outros. Estas são expectativas geradas pela mente insegura que busca um controle que não lhe cabe. O possível é a pessoa saber o que vai colher porque conhece a semente que planta a cada dia. Sua vida é regida por princípios e valores norteadores escolhidos por ela mesma através de critérios bem fundamentados. Por outro lado, um indivíduo que vive ao acaso, na superficialidade, levado pelas circunstâncias e crenças alheias, não experimenta esta sensação de controle, portanto, não pode prever o que vai colher no futuro.

2) Através desta inteligência, ela faz um bom gerenciamento dos conflitos internos, isto é, ela vive em paz. A maioria dos indivíduos nem imagina o que seja esta vivência maravilhosa, com ausência de dor, sofrimento, ansiedades e angústias. Estes imaginam que paz seja um estado de marasmo, de lentidão, um tanto quanto insosso e sem prazer. Que ilusão! Paz é um estado de silêncio interior, se comparado às guerras constantes que muitos se impõem ou sofrem, portanto, propicia enorme bem estar. E pela ausência de tortura psicológica, abre-se um espaço para outra voz, a da imaginação criativa que gera intensa atividade e produtividade. Isto amplia e expande as possibilidades do uso dos recursos, gerando maior contato com o próprio poder, abrindo assim, novas visões e portas para o sucesso nos objetivos pretendidos.

3) Com um alto nível de inteligência, a pessoa não usa jogos de poder para manipular outro indivíduo e seus recursos para atingir os objetivos dela. Esta estratégia de ação é dispendiosa e pouco produtiva, pois segue o caminho mais longo. Para manipular, ela tem que se esforçar para ser mais esperta do que o outro a fim de fazê-lo se submeter à sua vontade, além de conseguir que ele acredite que está agindo assim porque é o melhor a fazer. Isto não é mais custoso do que usar os seus próprios recursos para se realizar? Exatamente pela falta de autoconfiança, a manipulação tem sido o caminho mais utilizado pelos seres humanos até hoje para alcançar seus objetivos. Mas é um jeito fadado a funcionar cada vez menos, pois a maioria das pessoas está despertando para este truque e cada vez mais aumenta a recusa a se submeter.

4) A alta inteligência é sinal de que o indivíduo já desenvolveu um senso ético, isto é, a capacidade de saber o seu lugar no mundo e o respeito incondicional pelos espaços alheios. Desta forma, ele descobriu que a interdependência é a estratégia mais produtiva, colocada à disposição de todos, ou seja, a percepção de que ele pode gerar prosperidade para todos e estes podem fazer o mesmo entre si e para ele. Isto significa compartilhar suas melhores competências com base na boa vontade. Esta fórmula amplia imensamente os recursos fornecidos a todos para o caminho do sucesso, com a vantagem de ocorrer de forma harmônica.

Mas alguém pode questionar: como conseguir esta boa vontade dos outros? Eis aqui o "pulo do gato": este prêmio é conquistado, não sorteado ou gratuito. Para alcançá-lo é preciso compreender certas regras básicas dos relacionamentos que criam ou despertam no outro o desejo de se doar. O conselho é antigo, mas muitos ainda não o escutaram ou entenderam em profundidade: "É dando que se recebe." Pode parecer apenas um clichê, mas é exatamente o comportamento que pode fazer toda a diferença, porque ele dá início ao conceito de troca verdadeira. E que tipo de doação é esta? Não é necessariamente material. Significa prestar atenção de qualidade no outro; colocar-se no lugar dele (característica também chamada de empatia); aceitá-lo sem dramatizar seus pontos fracos, fazer exigências ou rotulá-lo; admirar seus pontos fortes e buscar inspirá-lo, para que se desenvolva e encontre também o seu caminho de autorealização e plenitude.

Como eu disse antes, o principal sinal da alta inteligência é fazer-se feliz. Uma pessoa (física ou jurídica) que consegue fazer o trajeto apresentado anteriormente pode se considerar muito inteligente e isto pouco ou nada tem a ver com um teste de Q.I. ou com o relatório de faturamento da empresa, por mais altos que sejam os seus resultados. Além destes, é preciso também mais visão sistêmica e profundidade de análise, isto é, disponibilidade para abrir-se para reflexões e experiências além do permitido, do científico ou do lógico, para compreender os caminhos que levam à felicidade. Portanto, ser muito inteligente é saber preservar e gerenciar os recursos internos e externos de forma otimizada, saudável e ecológica para a máxima produtividade, gerando ainda mais para o futuro do planeta.



Solicitamos a gentileza de, ao publicar o artigo, citar a fonte:
Autora: Dra. Elizabeth Zamerul Ally, médica psiquiatra, psicoterapeuta especialista em Dependência Química e Codependência www.dependenciaecodependencia.com.br

COMENTÁRIOS

Compartilhe!!




Encontre-me!!


Assine meu Informativo

Nome:
E-mail:
ELIZABETH ZAMERUL © 2013
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução sem prévia autorização.